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Seja muito bem-vindo(a) à página dos cronistas. Aqui você poderá encontrar as informações mais importantes para a definição do gênero, assim como também algumas dicas, que lhe auxiliarão, acaso tenha como objetivo compor uma crônica ao seu irrestrito rigor.
A crônica é um gênero literário produzido essencialmente para ser veiculado na imprensa, seja nas páginas de uma revista, seja nas páginas de um jornal. Quer dizer, ela é feita com uma finalidade utilitária e pré-determinada: agradar aos leitores dentro de um espaço sempre igual e com a mesma localização, criando-se assim, no transcurso dos dias ou das semanas, uma familiaridade entre o escritor e aqueles que o lêem, sempre apoiando-se na atualidade dos fatos reais.
Características básicas da crônica:
A crônica é, primordialmente, um texto escrito para ser publicado no jornal. Assim o facto de ser publicada no diário já lhe determina um vida curta, as importante no registro histórico, pois à crônica de hoje seguem-se muitas outras nas próximas edições.
Há semelhanças entre a crônica e o texto exclusivamente informativo. Assim como o repórter, o cronista se inspira nos acontecimentos diários, que constituem a base da crônica. Entretanto, há elementos que distinguem um texto do outro. Após cercar-se desses acontecimentos diários, o cronista dá-lhes um toque próprio, incluindo em seu texto elementos como ficção, fantasia e criticismo: opinião, elementos que o texto essencialmente informativo não contém. Com base nisso, pode-se dizer apaixonadamente, que a crônica situa-se entre o Jornalismo e a Literatura, e o cronista pode ser considerado o poeta dos acontecimentos do dia-a-dia.
A crônica, na maioria dos casos, mas não necessariamente é um texto curto e narrado em primeira pessoa, ou seja, o próprio escritor está "dialogando" com o leitor. Isso faz com que a crônica apresente uma visão totalmente pessoal de um determinado assunto: a visão do cronista. Ao desenvolver seu estilo e ao selecionar as palavras que utiliza em seu texto, o cronista está transmitindo ao leitor a sua visão de mundo. Ele está, na verdade, expondo a sua forma pessoal de compreender os acontecimentos que o cercam. Geralmente, as crônicas apresentam linguagem simples, espontânea, situada entre a linguagem oral e a literária. Isso contribui também para que o leitor se identifique com o cronista, que acaba se tornando o porta-voz daquele que lê.
Em resumo, podemos determinar cinco pontos:
Narração histórica pela ordem do tempo em que se deram os fatos.
Seção ou artigo especial sobre literatura, assuntos científicos, esporte etc., em jornal ou outro periódico.
Pequeno conto baseado em algo do cotidiano.
Normalmente possui uma crítica indireta.
Muitas vezes a crônica vem escrita em tom ácido-humorístico. Exemplos deste tipo de crônica são Fernando Sabino, Helyda Rezende, Leon Eliachar.
Origem da crônica:
A palavra crônica deriva do Latim chronica que significava, no início da era cristã, o relato de acontecimentos em ordem cronológica (a narração de histórias segundo a ordem em que se sucedem no tempo). Isso serviu à documentação da época dos reis cristãos, espanhóis e portugues. Era, portanto, um breve registro de eventos.
No século XIX, com o desenvolvimento da imprensa, a crônica passou a fazer parte dos jornais. Ela apareceu pela primeira vez em 1799, no Journal de Débats, publicado em Paris. Esses textos comentavam, de forma crítica, acontecimentos que haviam ocorrido durante a semana. Tinham, portanto, um sentido histórico e serviam, assim como outros textos do jornal, para informar o leitor. Nesse período, as crônicas eram publicadas no rodapé dos jornais, os "folhetins".
Essa prática foi trazida para o Brasil na segunda metade do século XIX e era muito parecida com os textos publicados nos jornais franceses. José de Alencar foi um dos primeiros escritores brasileiros a produzir esse tipo de texto nesse período. Com o passar do tempo, a crônica brasileira foi, gradualmente, distanciando-se daquela crônica com sentido documentário originada na França. Ela passou a ter um caráter mais literário, fazendo uso de linguagem mais leve e envolvendo poesia, lirismo e fantasia.
Tipos de Crônica:
Crônica Descritiva:
É de quando uma crônica explora a caracterização de seres animados e inanimados num espaço, vivos como numa pintura, de denotação simples, mas detalhada, como uma fotografia ou dinâmica como um filme publicado.
Crônica Narrativa:
Tem por eixo uma história, o que a aproxima do conto. Pode ser narrado tanto na 1ª quanto na 3ª pessoa do singular. Texto lírico (poético, mesmo em prosa). Comprometido com fatos cotidianos (“banais”, comuns). Esta se assemelha e até confunde-se muito com o conto atualista, que é narrado no presente e não no passado.
Crônica Dissertativa:
Opinião explícita, com argumentos mais “subjetivos” do que “objetivos”. Um exemplo desta seria assim: em vez de “segundo o IBGE a mortalidade infantil aumenta no Brasil”, seria “vejo mais uma vez esses pequenos seres não alimentarem sequer o corpo”. Assim do cronista está claro a opinião sobre o fato acontecido e não da notícia em si, sendo então exposto tanto na 1ª pessoa (e não na 3ª) do singular quanto na do plural.
Crônica Narrativo-Descritiva:
É quando uma crônica explora a caracterização de seres, descrevendo-os de maneira realista. Mostrando fatos cotidianos ("banais", comuns) no qual pode ser narrado em 1ª ou na 3ª pessoa do singular.
Crônica Humorística:
Apresenta uma visão irônica ou cômica dos fatos, mas tudo subjetivamente, onde o leitor é guido ao sentido cômico.Ex: Fernando Sabino.
Crônica Lírica:
Linguagem poética e metafórica. Expressa o estado do espírito, as emoções do cronista diante de um fato de uma pessoa ou fenômeno. No geral as emoções do escritor.
Esta está presente nos momentos mais críticos de uma sociedade, como políticos e trágicos, onde o sentimento do povo é refletido pelo sentimento do cronista.
Alguns escritores cronistas brasileiros: Machado de Assis, João do Rio, Rubem Braga, Helyda Rezende, Fernando Sabino, Carlos Drummond de Andrade, Vinicius de Moraes, Henrique Pongetti, Paulo Mendes Campos, Alcântara Machado,
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