Definição de Romance

26/01/2009 04:03

História e Definição de Romance


Terminologia. Romance significou um breve poema narrativo, de conteúdo lendário ou histórico; só depois do século XVI surge o termo novela, designando uma narração extensa em prosa, correspondendo ao português romance. Em inglês romance é uma narração em prosa cujo enredo é fantástico ou meio fantástico, não correspondendo aos fatos da realidade; o termo novela fica reservado para os romances de fundo realista. Em português romance é qualquer narração extensa, em prosa, correspondendo ao francês roman, ao italiano romanzo e ao alemão Roman; nessas línguas o termo novela (nouvelle, novella, Novelle) fica reservado para narrações mais breves de um tamanho entre romance e conto. Fonte 5.

Definição. A diferença entre romance e novela é, aliás, flutuante, sobretudo a partir do fim do século XIX, quando saíram da moda os romances muito extensos, em três ou quatro volumes. As definições usuais descrevem a novela como exposição de uma situação conflituosa, sendo apenas resumidas as causas e os efeitos, ao passo que o romance apresenta a evolução e o desfecho inteiros dos acontecimentos, inclusive o panorama social (ou histórico) que é o fundo do enredo. O romance é o gênero literário mais importante dos tempos modernos; ocupa o lugar deixado vago pela extinção do gênero epopéia, e já foi definido como epopéia em prosa, o que não deixa de ser mais uma comparação do que uma definição.

Elementos constitutivos. O elemento fundamental do romance é o enredo (em inglês plot). Existem teorias, discutíveis aliás, sobre ‘conto sem enredo’, mas romance sem enredo é impensável. A importância do enredo só foi desprezada, a partir da segunda metade do séc. XIX, pelos que desejavam ver o romance, gênero moderno e sem antecedentes na poética, transformado em obra de arte verbal; observaram que o enredo de certos romances realmente notáveis parece simples ou até simplista, ao passo que os autores de romances de mero divertimento inventam, às vezes, enredos muito engenhosos. Os críticos formalistas russos têm feito muito para restabelecer a importância do enredo, distinguindo nitidamente entre os materiais do enredo e sua estruturação; nos E.U.A. a escola de críticos de Chicago (R. S. Crane e colaboradores) também focaliza a importância e a dignidade do plot (enredo).

Em vez do enredo, a crítica literária do século XIX costumava insistir na importância dos ‘caracteres’dos personagens bem definidos, é uma preferência inspirada pela critica da literatura dramática, especialmente das obras de Shakespeare. O personagem principal do romance costumava ser denominado heroe, exigindo-se certa coerência do ‘caráter’. Essa visão do romance foi minada pelo aparecimento de ‘heróis’ fracos, indecisos ou mesmo medíocres, como em Madame Bovary, de Gustave Flaubert, ou em Middlemarch, de George Eliot; no séc. XX aparece, até, o anti-herói, sendo o primeiro plano da narração ocupado por forças sociais ou outras que o dominam.

O terceiro elemento constitutivo do romance é o narrador. Em parte considerável dos romances, o enredo é narrado na primeira pessoa, pelo próprio personagem principal, de modo que a obra parece auto-biografia imaginária. O romance moderno prefere, em geral, a narração na terceira pessoa, pelo próprio romancista; mas, enquanto em grande parte dos romances do séc. XIX o romancista-narrador intervém freqüentemente na narração, interrompendo-a por meio de reflexões sobre os acontecimentos e os personagens, prefere-se, em tempos mais recentes, o narrador imparcial e invisível, que não tem opinião própria. Henry James e Joseph Conrad, enfim, destruíram o conceito de ‘narrador onisciente’, que sabe tudo do enredo; entregaram a narração a um (ou a mais de um) narrador intermediário, que ignora parte dos acontecimentos e só conta o que sabe, interpretando-o à sua maneira.(*)

Formas: A relativa importância do enredo e dos personagens e o papel do narrador determinam a forma do romance, que pode ser, segundo Percy Lubbock, cênico ou panorâmico. Disso depende, por sua vez, a maior ou menor importância do diálogo, dentro da narração. Essa e outras teorias do romance não permitem, porém, classificação pormenorizada dos vários subgêneros do romance; para tanto, é necessário considerar, junto com a maneira de tratamento dos materiais, os próprios materiais do enredo; desse modo é possível definir (e tratar e separadamente) certas formas, como, por exemplo, o romance histórico; mas ‘romance realista’ou ‘romance psicológico’são expressões tão amplas e tão vagas, que desafiam as definições. Fonte 5.

Certa dose de realismo, de correspondência entre o romance e a realidade, parece qualidade indispensável do gênero, pelo menos em tempos modernos; e é por isso que obras como as de Rabelais, Bunyan e Swift não são consideradas como romances, no sentido moderno. Romance verdadeiro seria o Dom quijote (1605), de Cervantes, cujo tema é a diferença entre a realidade e as aparências. Convém, no entanto, assinalar que a obra cervantina, nascida como polêmica contra a irrealidade e o irrealismo dos romances de cavalaria, não tira a estes o papel histórico de terem representado a forma mais antiga do gênero.

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