Entrevista
Olá Literático! Neste mês nossa entrevista está surpreendente!
Buscamos a pessoa responsável pela revolução do mercado editorial brasileiro, empreendida pelo: Clube de Autores, um site que permite a qualquer tipo de escritor publicar e vender seus livros sem custo algum... pois então: literáticas e literáticos, nossa entrevista é com o sr.: Ricardo Almeida, diretor-geral da I-Group, empresa que criou o Clube de Autores.

O LITERÁTICO: O que é o Clube de Autores?
Ricardo: O Clube de Autores é o primeiro site brasileiro que permite a publicação gratuita de livros de forma 100% sob demanda. Em outras palavras, o próprio autor pode subir o seu livro, determinar quanto deseja ganhar por venda e disponibilizá-lo na loja sem pagar absolutamente nada por isso.
Uma vez lá, todo e qualquer usuário pode adquiri-lo via comércio eletrônico.
Quando o livro é comprado, o pedido vai diretamente para a gráfica, que imprime um a um, dá o acabamento final e despacha para o comprador – sendo que o autor recebe os direitos autorais.
O LITERÁTICO: Quais são as principais qualidades e vantagens desta nova idéia?, e quais são as diferenças do Clube de Autores para as outras editoras, comerciais ou prestadoras de serviços, em relação aos Direitos Autorais?

Ricardo: Primeiro, o fato de não haver absolutamente nenhum custo envolvido para o autor. O nosso papel é fomentar cultura – e não se faz isso cobrando dos seus criadores e artistas.
Segundo, o fato do autor poder controlar, de maneira direta, o desempenho de suas vendas. Pelo sistema do Clube, ele consegue visualizar cada uma de suas vendas, sendo que pode inclusive controlar o preço final do livro, adaptando-o com o tempo.
Terceiro, a posse exclusiva dos direitos autorais. Não amarramos nenhum escritor contratualmente. A obra é dele e ele faz o que quiser com ela. Ou seja: caso deseje retirar o seu livro do Clube para publicá-lo por alguma editora, ele pode fazê-lo online.
Por outro lado, não nos vemos como concorrentes de editoras tradicionais: nos vemos como parceiros. Veja: se um autor publica o seu livro pelo Clube e esse livro vender bastante, ele pode ser convidado por uma editora tradicional, que arcará com as despesas referentes a um esforço de lançamento e distribuição mais agressivo. Muitos talentos podem ser revelados aqui – e cabe aos próprios autores decidir como tocar as suas carreiras.
O LITERÁTICO: O senhor não acha que seria importante o registro dos livros publicados no Clube de Autores no ISBN, para que as livrarias convencionais pudessem comercializar esses livros?, e também para que os autores pudessem participar de concursos literários importantes, que tem entre os quesitos de inscrição, o ISBN do livro inscrito?
Ricardo: Sem a menor dúvida! Temos inclusive um tutorial bem completo (e gratuito) na Universidade do Autor, acessada pelo site do Clube de Autores, que ensina os usuários a obter o seu ISBN.
O LITERÁTICO: É possível um autor publicar seu livro com o Clube de Autores e registrá-lo com a numeração do ISBN?
Ricardo: Para nós, um livro é uma obra, um pensamento, uma história ou um registro contido em páginas. Não entendemos que o que define um livro seja um código, mas sim o seu conteúdo. Portanto, damos a possibilidade a autores publicarem os seus livros no Clube com ou sem ISBN. Novamente, aqui, quem decide é o autor.
O LITERÁTICO: Analisando o mercado editorial brasileiro, por que o senhor acredita que o Clube de Autores funcionará e crescerá com o tempo?
Ricardo: Em 2007, o mercado editorial brasileiro cresceu 6,4%, atingindo a um faturamento de R$ 2,28 bilhões. As editoras venderam cerca de 200 milhões de exemplares (8,2% a mais que em 2006). O número de livros produzidos no Brasil (um dos 8 países que produzem mais livros no mundo), cresceu ainda mais: 9,5%, chegando a 351 milhões de exemplares.
Todavia, a quantidade de títulos novos editados no país sofreu uma queda de cerca de 10%, chegando a 18 mil títulos. Ao se incluir reedições, este número chega a 45 mil títulos.
Esses dados são da CBL (Câmara Brasileira do Livro) e do SNEL (Sindicato Nacional de Editores de Livros).
Isso mostra um panorama contraditório: o brasileiro está lendo mais - mas existe uma concentração de títulos que se configura como um paradoxo em relação aos tempos de ampla produção cultural em que vivemos. Esses dados apontam para uma propensão menor das editoras em correr riscos - mantendo as suas apostas em menos títulos com maior potencial de vendas. Resultado: menos portas abertas para autores iniciantes.
Estimamos que o montante de títulos novos publicados no ano represente apenas 2% do total de livros escritos no mesmo período. Em outras palavras, apenas em 2007, cerca de 880 mil livros escritos permaneceram guardados nas gavetas e sem nunca encontrarem os seus leitores. Uma perda para a cultura brasileira – e exatamente o que queremos reverter.
O LITERÁTICO: Muitos editores dizem que um dos principais fatores para o sucesso de um autor, é, sem dúvida, a editora que publicou sua obra. Como o senhor define o papel do Clube de Autores no sucesso das vendas de cada autor? Há algum investimento na promoção dos autores, ou até mesmo do Clube de Autores para com os leitores?
Ricardo: Há um ponto importante aqui: nós não somos uma editora. Somos uma empresa que viabiliza a produção de livros e a compensação financeira ao autor, de acordo com o que ele achar justo.
Por outro lado, o Clube tem o DNA do I-Group, empresa especializada em planejamento Web, e da A2C, uma das maiores agências online do sul do país. Em outras palavras, temos anos de experiência na detecção de cenários e montagem de estratégias. E, se há uma coisa que podemos afirmar é que, em tempos de Internet, quem melhor pode desempenhar o papel de divulgador de uma obra é o seu próprio autor.
Com tantas ferramentas “comunicacionais”, como blogs, Twitter e redes sociais, autores hoje encontram palcos que simplesmente não existiam no passado. Quem souber trabalhar isso bem, consegue formar o seu público, organizar a sua carreira literária e deslanchar.
Não dizemos que se lançar no ultra-competitivo mercado editorial seja fácil: é preciso muita dedicação e esforço. Mas é, sem sombra de dúvidas, algo viável.
O LITERÁTICO: Muitas pessoas dizem que um dos principais pontos negativos de publicar com o Clube de Autores, é que o preço final de cada livro é altíssimo, se compararmos inclusive aos Best Sellers vendidos em livrarias, papelarias, bancas de jornais e até em supermercados, pois além do custo do material e da impressão, há também o custo da entrega dos livros comprados, que pode variar de acordo com a distância da entrega. O senhor acha esse um fator importante e que pode fazer com que o leitor não compre os livros? Providências estão sendo tomadas para que o preço final das obras do Clube de Autores diminua cada vez mais?
Ricardo: O custo médio de um livro no Clube é de R$ 30,00. Sinceramente, não acho isso caro – mesmo considerando que imprimir sob demanda é, naturalmente, mais custoso do que imprimir em grandes tiragens.
Todavia, há sim um esforço contínuo nosso em reduzir os valores-base, permitindo que as margens dos autores possam ser maiores e os fretes, menores. Temos menos de 4 meses de vida – e já conseguimos baixar os custos médios em cerca de R$ 10,00 por livro. Uma vitória importante e que mostrou resultados imediatos nas vendas.
Mas essas negociações precisam de um pouco mais de estrada, de volume e de tempo de mercado para se concretizarem.
Gostaria também de ressaltar outra coisa: um dos nossos best sellers é um livro que custa cerca de R$ 135,00. Não quero menosprezar a importância do fator preço – mas também não o colocaria acima da qualidade da obra e do esforço de divulgação do autor.
O LITERÁTICO: Há planos, do Clube de Autores, em fazer acordo com livrarias como a Martins Fontes, que vende os livros em seu site, mesmo não tendo nem uma cópia sequer no estoque, fazendo o pedido deste livro com a editora só quando ele já foi vendido?
Ricardo: Ainda não temos nenhum acordo feito, mas, como disse no começo, nos vemos como parceiros de editoras e livrarias tradicionais. Podemos, por exemplo, revender no Clube livros já editados por eles e que tenham tiragens esgotadas; e, no sentido oposto, vender os livros do Clube em seus sites.
O LITERÁTICO: O Clube de Autores tem o formato e a proposta parecida com outros empreendimentos de auto-publicação de livros que fazem sucesso em outros países. O senhor reconhece a diferença entre o empreendimento do I-Group e esses outros estrangeiros, que estão funcionando bem, mas em realidades editoriais com o número e uma qualidade de leitores diferentes?
Ricardo: Não sei sobre essa questão de qualidade do leitor. Para mim, leitor é leitor – e adquire a obra do escritor com quem mais se identifica.
O Brasil tem peculiaridades claras: um mercado editorial diretamente proporcional ao tamanho de sua população, mas com um hábito de leitura per capita muito menor do que o de países vizinhos, como Argentina e Chile.
Por outro lado, temos o usuário de Internet que mais navega no mundo e que passa cerca de 31% do seu tempo online em comunidades e redes sociais. Somos comunicativos por natureza e a Web apenas destacou esta importante característica. O Clube de Autores, tanto em forma quanto em conteúdo, foi feito e é gerido tendo essas questões em mente.
O LITERÁTICO: De acordo com as suas expectativas, atualmente o Clube de Autores está caminhando bem?
Ricardo: Muito bem! Com muito pouco tempo de vida, já temos centenas de livros nas nossas prateleiras virtuais e vendas surpreendentes. Recebemos e-mails diários de autores com elogios e muito, muito apoio. Em suma, nos sentimos inseridos na comunidade autoral – algo fundamental para uma empresa como o Clube.
O LITERÁTICO: Quais são os principais pontos que ainda faltam melhorar para que a competitividade entre o Clube de Autores e as outras editoras aumente?
Ricardo: Como toda empresa – principalmente na Internet – sempre temos o que melhorar. O que nos guia, no entanto, é a própria comunidade e as suas sugestões, que funcionam como a nossa principal ferramenta de gestão.
O LITERÁTICO: Alguns editores defendem a idéia de que um livro, antes de ser publicado, deve ser avaliado, para que se encaixe no padrão, e por assim: na marca da editora. O Clube de Autores aceita qualquer tipo de livro. Qual é a marca que fica para o público, que antes de conhecer o autor, conhece a postura da editora de publicar qualquer tipo de obra, tendo qualidade ou não?
Ricardo: Nós acreditamos que todos têm uma história para contar. Como humanos, isso é o que nos diferencia de outros animais – a habilidade de raciocinar e de se comunicar com alto grau de sofisticação. E, da mesma forma, todos têm o seu próprio público. Quem sou eu para dizer que uma obra é boa ou ruim? Tenho o meu gosto, claro – mas cogitar que ele deva ser obrigatoriamente seguido pelo mundo seria, no mínimo, um sinal de psicose.
É claro que o público quer e precisa de referência antes de comprar um livro. Mas essa referência é o próprio autor, seu nome, o conteúdo que ele já gera na rede e o seu estilo, os comentários de outros leitores.
O LITERÁTICO: Muitos autores dizem que ser escritor mesmo é produzir todo o livro, desde escrevê-lo até editá-lo. No Clube de Autores isso é possível, e assim: toda a qualidade do livro está relacionada à qualidade e também ao gosto de cada autor. Existem profissionais do I-Group que podem ajudar e até mesmo fazer a editoração dos livros, se esta editoração for solicitada?
Ricardo: Criamos a Universidade do Autor justamente para ajudar os escritores em tarefas que eles podem não dominar, como diagramação e mesmo divulgação.
A Universidade do Autor pode ser acessada diretamente a partir do site do Clube de Autores.
O LITERÁTICO: Para um livro ser considerado Best Seller, tem ele que alcançar, no mínimo dez mil exemplares vendidos ou ter sua 1ª edição esgotada em pouco tempo. No Clube de Autores não existe tiragem mínima, pois todos os livros são vendidos por encomenda. Existe mesmo uma estrutura para que seja possível vender Best Sellers, entregando a todo o Brasil, no mínimo dez mil exemplares de cada autor?
Ricardo: Claro que sim. Temos parceiros sólidos e já consolidados no mercado editorial que nos dão uma capacidade plena para dar conta da demanda.
O LITERÁTICO: Qual o recado que o Clube de Autores tem para os escritores?
Ricardo: Publiquem os seus livros. Agora, não há mais nenhuma obstáculos no caminho das suas carreiras. Mas entendam que ter sucesso no mercado editorial vai além de ter um livro publicado – esforcem-se na divulgação e na construção de um público fiel. Um autor de sucesso, hoje, não é apenas um artista: ele é um empresário de si mesmo. E precisa aprender a desempenhar esta função.
O LITERÁTICO: E, qual o recado para os leitores que ainda não compraram nenhum livro com vocês?
Ricardo: Comprem! Há muita obra maravilhosa escrita no Clube de Autores, com linhas de pensamento sólidas, coesas. Entrem no universo dos novos autores – o melhor retrato do nosso mundo atual. Lê-los, hoje, é entender o pensamento dos nossos tempos, é mergulhar na cultura que é produzida no nosso dia-a-dia e estar mais bem preparados, seja profissional ou intelectualmente, para um futuro cada vez mais próximo.
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O Clube de Autores disponibiliza, de forma totalmente gratuita, diversos cursos para auxiliar os autores a divulgar e diagramar seus livros. Confira abaixo os cursos disponíveis atualmente, e fique antenado no Editorial Clube de Autores (nosso blog), pois novos cursos estão chegando.


