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Seja muito bem-vindo(a) à página dos romancistas! Aqui você poderá encontrar as informações mais importantes para a definição do gênero, assim como também algumas dicas, que lhe auxiliarão, acaso tenha como objetivo compor um conto literário ao seu irrestrito rigor.

O Romance é um dos gêneros mais conhecidos da literatura. Veio da epopéia, sendo tipicamente no modo narrativo como a novela ou o conto.

 

 

Romance ou Novela?

A diferença entre romance e novela é pouco clara, mas costuma-se definir que no romance há um paralelo de várias ações, que se apontarão por uma idéia, um conceito, ou uma personagem; enquanto na novela há uma espécie de concatenação de ações individualizadas, com núcleos e sub-histórias com fim e começo, até não-relacionadas com um centro. No romance, uma personagem pode surgir em meio a história e desaparecer depois de cumprir sua função. Outra distinção importante é que no romance o final é um enfraquecimento de uma combinação e ligação de elementos heterogêneos, não o clímax como ocorre em muitas e até todas as novelas... à espera do tal último capítulo.

Importante é que o romance tornou-se gênero preferencial a partir do Romantismo, por isso ficando o termo romance associado a estes. Entretanto o Realismo (que foi um contra-Romantismo) teria no romance sua base fundamental, pois apenas este permitia a minúcia descritiva, que exporia os problemas sociais.

 

Surgimento do romance:

Considera-se que o romance nasceu no início do século XVII, sendo o precursor deste gênero o Dom Quixote de La Mancha, de Miguel de Cervantes que, tentativa de parodiar a já estereotipada novela de cavalaria, não só escreveu um dos grandes clássicos da literatura, como ajudou a firmar as bases do gênero que viria substituir a epopéia, que já agonizava e desapareceria no século XVIII, com a chegada da era industrial.

 

Na Modernidade:

O romance chega à modernidade com Balzac, Zola, e à plenitude com Proust, Joyce, Faulkner. A partir destes últimos a ordem cronológica é desfeita: passado, presente e futuro são fundidos.

A partir de meados do século XX intensifica-se a discussão em torno de uma provável crise do romance, e sua possível morte. Essa morte teria ocorrido por volta dos anos 50: Na França Alain Robbe-Grillet, Claude Simon, Robert Pinget, Nathalie Sarraute, Marguerite Duras, Michel Butor, entre outros, que rejeitam o conceito de romance, cuja função é contar uma história e delinear personagens conforme as convenções realistas do século XIX; estes transgridem também outros valores do romance tradicional: tempo, espaço, ação, repúdio à noção de verossimilhança, paridade com o meio vivido, etc.

O filósofo existencialista: Jean-Paul Sartre, que constriu suas teorias pelo romance, diz que ao destruírem o gênero, esses escritores, na verdade, estão renovando-o, principalmente com a influência do cinema. É o noveau roman sacudindo as bases tradicionais da literatura, numa reconstrução contínua.

Em 1936 os Estados Unidos viviam a época clássica do cinema falado. Antes de ser influenciado pelo cinema, o romance tanto influenciou a ponto de, nas décadas de 30 e 40, a indústria cinematográfica ter privilegiado os filmes narrativos e grandes romancistas terem sido contratados pelos estúdios para escreverem roteiros. Mesmo assim em 1936 Scott Fitzgerald escrevia: "vi que o romance, que na minha maturidade era o meio mais forte e flexível de transmitir pensamento e emoção de um ser humano para outro, estava ficando subordinado a uma arte mecânica... só tinha condições de refletir os pensamentos mais batidos, as emoções mais óbvias. Era uma arte em que as palavras eram subordinadas às imagens..." Fitzgerald foi um dos primeiros escritores a perceber que o romance estava sendo suplantado pelo cinema, mas continuou acreditando que, como arte diferente por ser escrita, o romance sempre seria superior. Antes disso, na década de 20, com a publicação do Ulisses, passou-se a afirmar que o livro de Joyce era o ápice do romance, e que depois dele, o romancista deveria ater-se ao mínimo; outros diziam que o Ulisses era a paródia final do romance, como quem assina embaixo da frase de Kierkegaard: Toda fase histórica termina com a paródia de si mesma.

No Brasil, para o romance, os anos 50 foram férteis: 1956, por exemplo, é considerado um dos grandes marcos literários do país, pois foram publicados naquele ano: O Encontro Marcado, de Fernando Sabino; Doramundo, de Geraldo Ferraz; Vila dos Confins, de Mário Palmério e Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa. Ainda desta década é: Gabriela, Cravo e Canela, de Jorge Amado, assim como a trilogia: O tempo e o Vento, de Érico Veríssimo, teve seu primeiro volume: O Continente, publicado em 1949, e logo: O Retrato em 51.

 

Crise do Romance?

A verdade é que já em 1880 falava-se em crise do romance. Naquele ano foi feito na França uma enquete sobre o assunto e Jules Renard disse que o romance havia morrido. E quem estava em atividade naquela época? Zola, André Gide, Valéry; mais adiante surgiriam Proust, Joyce, Kafka, Robert Musil, Machado de Assis... Numa entrevista, Gabriel Garcia-Márquez reitera sua crença no gênero: "se você diz que o romance está morto, não é o romance, é você que está morto".

Justamente quando se discutia se os recursos do romance estariam realmente esgotados, se seus dias estavam mesmo contados, surge o que ficou conhecido como o boom da literatura latino-americana: Julio Cortázar, Vargas Llosa, Gabriel Garcia-Márquez, Carlos Fuentes, Cabrera Infante, Miguel Ángel Asturias, Alejo Carpentier etc. Era o descobrimento do realismo mágico.

Na verdade o romance sempre esteve ameaçado. Ele mesmo, como um dos filhos da revolução industrial, se viu diante da concorrência de outros irmãos: o desenvolvimento do jornalismo, o cinema, o rádio, a TV; e mais recentemente os computadores, a Internet etc. O que se tem visto, no entanto, são os rivais se transformarem em aliados do romance: a imprensa escrita veio influenciar e divulgar a literatura, com o cinema a mesma coisa acontece. A Internet também vem se transformando numa divulgadora da literatura e dos próprios escritores, com os blogs e sites que cada um deles mantém.

Em Repertório, Michel Butor diz que o romance é o laboratório da narrativa, e não há espaço mais propício para se fazer novas experiências do que um laboratório. Uma literatura que pretende representar o mundo só o fará se acompanhar as mudanças desse mundo. É preciso, então, mudar a própria noção de romance.

Esse laboratório da narrativa vem ao encontro das relações atuais do romance com as transformações cada vez mais dinâmicas da sociedade contemporânea. O que morre no romance é a antiga estrutura que é necessariamente marcada pela coerência interna da qual se espera extrair o sentido da narrativa. A crença em alcançar significados coerentes é que está em crise. A sociedade atual assiste ao fim das ideologias e à falência tanto da sociedade burguesa quanto da socialista. O romance clássico representa a falácia de um estilo de pensamento ultrapassado pela racionalidade histórica pós moderna, e começa a adentrar para o âmago humano, pelo individualismo.

 

 

A Metamorfose do Romance:

Que a palavra romance se desgastou a ponto de se criar preconceitos em torno dela isso não se discute. Há pessoas, por exemplo, que acreditam que o fato de não lerem romances é um sintoma de intelectualidade. Na maioria das vezes, entretanto, quando se diz: "eu não leio romance está-se querendo dizer eu não leio prosa de ficção". Assim o preconceito se espalha para a literatura em geral.

Outra coisa indiscutível é o fato de o romance não ocupar mais o mesmo espaço que ocupou até o início deste século. O mesmo Michel Butor diz que é preciso compreender que toda invenção literária, hoje em dia, produz-se no interior de um ambiente já saturado de literatura. Para Henry James, o romancista é alguém para quem nada está perdido, e... para Mishima, a literatura é uma flor imperecível. Para Barthes a única verdadeira crise do romance acontece quando o escritor repete o que já foi dito ou quando deixa de escrever o que acontece na sempre mutável realidade... pois esta é a matéria-prima do romancista.

Hoje em dia, o romance vem ganhando novos e mais novos significados, mas o primordial é o da prosa direta com o leitor, a contar-lhe uma história, que não necessariamente tenha um fim e nem um começo, mas que trate sempre do que está ao alcance deste leitor que aí está com novas linguagens a todo dia.

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